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Rafael,
tem algumas coisas sobre filosofia que ainda estão um pouco confusas na minha cabeça, aqui vão elas:
* Na aula sobre lógica tinha um exemplo que era o seguinte:
Sócrates é mortal
Sócrates é uma galinha
A galinha é mortal
embora válido não é verdadeiro (certo?)
mas se invertessemos a conclusão com a premissa menor e ficasse:
Sócrates é mortal
A galinha é mortal
Sócrates é uma galinha
mesmo sabendo que Sócrates não é uma galinha a construção não seria ao mesmo tempo válida e verdadeira?
Como distinguir corretamente válido de verdadeiro?
* Na apostila de lógica possui o seguinte exemplo:
Todo mamífero é animal.
Ora, um gato é um animal.
Logo, um gato é um mamífero
É a mesma estrutura do exemplo de Sócrates e da galinha mas esse sim é verdaderio. No entanto, a apostila classifica o exemplo como falácia formal.
Porque esse exemplo é uma falácia e não pode ser classificado como verdadeiro e válido?
*Na aula que foi sobre política eu não pude ir, gostaria que você me falasse os principais tópicos para estudar sobre essa matéria e os conceitos principais que preciso saber.
Muito obrigada,
Bruna Senna Dias
Rio, 06/11/07
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Oi Bruna!
Pensa o seguinte:
Temos duas premissas e uma conclusão numa dedução, certo?
Premissa 1: Sócrates é mortal.
Premissa 2: Sócrates é uma galinha.
Conclusão: A galinha é mortal.
Perceba que a premissa 1 é verdadeira (Sócrates é de fato mortal). A premissa 2 é falsa (Sócrates não é uma galinha) e a conclusão verdadeira (A galinha é mortal). Logo, a dedução não pode ser válida, pois todas as premissas precisam ser verdadeiras para isso, além de haver erro no raciocínio, há erro na matéria raciocinada. Entendeu?
Num silogismo (que é o tipo de dedução que você tá fazendo, com premissa maior e premissa menor) você nunca pode predicar dois sujeitos da mesma forma, é um erro de raciocínio. Por exemplo:
Premissa 1: Os brasileiros são honestos.
Premissa 2: Os italianos são honestos.
Não é possível deduzir nada dessas premissas, porque não há premissa maior e premissa menor, as duas têm o mesmo valor, percebeu? Você precisa de uma premissa maior, mais geral, e uma menor, mais particular. Ex:
Premissa 1: Os brasileiros são honestos.
Premissa 2: Eu sou brasileiro.
Agora sim você pode fazer a dedução.
No caso de:
Premissa 1: Todo mamífero é um animal.
Premissa 2: Ora, um gato é um animal.
As premissas são verdadeiras sim, você percebe isso pela experiência, mas ainda precisamos ver se as premissas podem formar um silogismo. Uma é mais geral que a outra, até aí tudo bem. Mas observe como na segunda premissa, você não está predicando o termo médio (animal), e sim o termo extremo (gato). Se você não obedecer a essa regra, a forma do silogismo fica errada, por isso é uma falácia formal. Vamos consertar:
Premissa 1: Todo mamífero é um animal.
Premissa 2: O gato é um mamífero.
(agora estamos predicando o termo médio - mamífero)
Conclusão: O gato é um animal.
Esse silogismo está certo, pois respeita a "forma" do silogismo - o termo médio é sempre o sujeito da premissa maior (no caso, mamífero, e não animal).
Se tiver mais dúvidas, entra no msn, que estamos organizando conferências online pra tirar essas e outras dúvidas. Meu msn é esse email mesmo.
Em relação à política, dá uma olhada no programa da UFRJ, estuda só os tópicos que eles publicaram.
Beijos e espero ter ajudado!
Rafael
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